Um autor singular. Considerando a diversidade de técnicas utilizadas por Sérgio Nunes, pode-se dizer que seu trabalho revela mais o interesse pela construção de um dispositivo poético – que independe do fato dele tomar características abstratas ou figurativas – do que uma adesão “ideológica” a uma determinada tendência. “Tudo que em mim sente está pensando”, diz um verso de Fernando Pessoa que, guardadas as distâncias entre literatura e artes plásticas, se aplica como uma luva à obra de Sérgio Nunes. Seu emblema mais evidente é mesmo uma espécie de malícia técno-poética (uma erótica?) algo perversa, que, insidiosa, se infiltra no momento de observação da obra, afirmando sua adesão afetuosa ao campo onde se insere – o mundo das imagens – e, ao mesmo tempo, fugindo para um tempo sem tempo, onde sonha silêncios enigmáticos.

Walter Sebastião
Jornalista e curador

 

 

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